Uma escoriação, uma marca de pressão sobre a pele, um hematoma ou uma fratura podem ser indicativos de uma violência física. Esses sinais, mesmo quando evidentes, podem provir de outras circunstâncias que não sejam as decorrentes de um abuso. Isso pode tornar o abuso físico ao idoso algo de difícil detecção.
E mesmo quando os sinais não são confusos ou sutis a detecção pode ser dificultada por um comportamento, muito comum entre pessoas que sofrem violência, de negar ou ocultar o abuso; seja pela vergonha que acreditam isso poderia vir a lhes causar; ou para, por alguma razão, proteger o agressor; seja também pelo puro medo de sofrer retaliação. Quanto sofrimento podemos entrever nisso!
Por variadas circunstâncias, muitos idosos vivenciam seu dia-a-dia em situação de isolamento social. Esse distanciamento pode também se constituir em uma dificuldade adicional para a detecção do abuso sofrido, porque o agressor, usando de sua ascendência sobre a vítima e confiança dos convivas, pode criar empecilhos para que se entre em contato com o idoso.
Estamos diante de situações que são tipificadas como crimes no Estatuto do Idoso. Mas queremos focar aqui nos valores da vida humana, os caminhos que tornam menos dignos os comportamentos do ser humano e retiram a dignidade das vítimas.
O abuso físico, uma imposição intencional de dor ou lesões, na maioria das situações mediante o uso de força, pode resultar em desconforto ou danos físicos e psicológicos. Por vezes, danos muito nocivos são produzidos pelo abusador físico com a administração de doses imprecisas de medicamentos ou a ingestão de substâncias impróprias.
Na formação dos profissionais de saúde há treinamento e advertências para auxiliar no seu bom exercício. São alertados para um possível comportamento preconceituoso quando, procurados por ajuda pelos idosos, atribuem a queixa puramente à “idade avançada”, formulando imediatamente um “diagnóstico de confusão, paranoia ou demência”.
É um bom procedimento que cuidemos, todos, de evitar um comportamento que tira do idoso a credibilidade para pedir ajuda ou que menospreze sua capacidade de solicitar a atenção para uma realidade, a qual está impedido de denunciar diretamente.
Podemos com agilidade refletir e agir. A reflexão – que pode ser um ato individual ou uma troca de impressões com amigos e parentes – seria imaginar: quais mecanismos poríamos em ação para evitarmos crer que alguém, por não saber como pedir ajuda, ou não ter como denunciar um abuso, ou mesmo por não ter consciência plena da violência que sofre, ainda assim não precise de ajuda.