Por mais que as tecnologias ajudem o contato durante o isolamento social, não se iluda! Elas também estão sendo agravantes para a situação. Se você acha que está sendo mais improdutivo durante uma reunião ou aula virtual, o que você sente é vivenciado por mais pessoas do que imagina e vem sendo chamado de: Zoom fatigue.
Nas últimas semanas ocorreram grandes mudanças nas formas de interação do ser humano. Aulas online, reuniões pelo computador, festas de aniversário pela webcam, lives no YouTube. Tivemos que nos adaptar e percebemos que graças a tecnologia, mesmo longe podemos estar bem próximos um do outro. Mas será que é bem assim mesmo?
Muitos estudantes e trabalhadores de home office reportam cenários comuns: menor produtividade, queda na concentração, cansaço mental, … Sintomas que aparecem principalmente depois de uma reunIão virtual. Um dos motivos para isso estar acontecendo é que o uso dessas ferramentas de vídeo-chamada exige mais energia do que um contato físico. Através do vídeo seu cérebro é estimulado para acreditar que você está em uma situação de encontro físico – que seu corpo não experiencia. Além disso você precisa de um esforço maior para acompanhar a linguagem não verbal. Ver apenas o rosto de várias pessoas simultaneamente pode ser mais desgastante do que parece.
Seu cérebro tem que processar muito mais que apenas a conversa. Ele repara nos ambientes em que cada um se encontra. O quadro torto da sala da amiga, a estante colorida do colega de trabalho, o fato de ninguém estar olhando nos seus olhos e, em muitos casos, o que é ainda pior, a sua própria imagem. A posição das webcams nos dispositivos é de uma forma que, se você olhar para a tela para ver as pessoas com quem você conversa, você aparenta estar com um olhar para baixo. E se você quiser aparecer olhando nos olhos dos outros, terá de encarar a câmera e abrir mão de olhar para a cara dos outros integrantes. A conversa “olho no olho” não existe mais.

Outro problema é o silencio. Em uma conversa física ele é um elemento comum, representando atenção no que a pessoa está falando. Porém na vídeo-chamada não é bem assim. Ao falar e não encontrar nenhum retorno dos outros participantes a pessoa se sente ansiosa. É comparável à uma apresentação de teatro. Você está performando ao vivo com uma plateia de participantes cuja reação você não vê. Professores reportam que se sentem sozinhos. Não sabem se a turma está atenta, se estão gostando, se estão ausentes. Como saber se a única coisa na sua tela é a apresentação de powerpoint, sua webcam ligada e conhecimento de que uma turma toda está te observando? Vivenciar isso repetidas vezes na semana é muito desgastante.
Um estudo alemão de 2014 comprovou que um atraso na resposta de 1,2 segundos ou mais (característica das plataformas, seja por sobrecarga do sistema, problemas na internet, etc.) provoca a impressão de participantes desinteressados. Para quem está falando isso pode ser mais um fator para o desgaste mental. E um desgaste desses, em um contexto de pandemia e crise mundial, não deve ser ignorado.
Muito apropriado.
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