Serviços de Atendimento Psicológico COVID-19 Parte 1

Prezados leitores. Atingimos nessa semana o marco de 2 meses de isolamento social. Sim, muitos de nós estão sem sair de casa há aproximadamente 60 dias. Graças a tecnologia nos mantemos próximos a nossas pessoas queridas, mas infelizmente não há Zoom nenhum que substitua o contato físico e presencial.

Nessa situação nova, e com tanta coisa acontecendo, ficamos ainda mais vulneráveis. Além de usar máscaras ao sair e lavar muito bem as mãos, é preciso estar atento à sua saúde mental. A equipe do Com Tudo 50+ traz aqui uma lista de contatos psicológicos, para diferentes públicos e de diferentes formas. Esperamos assim poder dar uma mão e apontar um caminho que nos ajude a passar essas épocas tão conturbadas.

NomePúblico AlvoContatoTerapia
Grupo Psicorpo –
Instituto de Psiquiatria do HC
Pessoas 50+ e profissionais da saúdegrupopsicorpo@gmail.comcombinado por email
Escuta +60Pessoas 60+(11) 3280-8537 
Instituto Gerar
(Varandas Terapêuticas)
Todos (grupo)atende@institutogerar.com.brcombinado por email
Clínica Aberta de
Psicanálise de Santos
Todosapenas pelo
Facebook
combinado por mensagem
Clínica Aberta
de
Psicanálise
Todos (individual)clinicaabertadepsicanalise@gmail.com
Clínica Pública de
Psicanálise
Todos (grupo)apenas pelo
Facebook
sábados
09:50
1h30 de duração
Centro de Valorização
da Vida
Todos188atendimento 24h
Coletivo Psicanálise
na Praça Roosevelt
Todos (grupo)inscrição pelo
Facebook
sábados
11h – 14h
Cruzando HistóriasPessoas desempregadasinscrição neste formulário
Escuta VivaTodosinscrição neste formulário

Gostou de algum serviço? Tem outra sugestão? Escreva seus pensamentos nos comentários abaixo, vamos ficar felizes em te escutar!

Com Tudo 50+, sempre com você!

TOUR VIRTUAL! MAIS UM? UM BANCO!!!

O BANESPÃO: muitos já o conhecem, outros ainda não! Alguns falam: Ahhh, ir ao centro da cidade? Não! É perigoso… Agora você não tem mais desculpa. É possível fazer um tour virtual em um dos prédios icônicos do centro histórico.

Inaugurado em 1947 e oficialmente batizado de “Edifício Altino Arantes”, foi construído para ser a sede do Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Ocupou até 1965 o status de maior edifício da América Latina.
Em 1999 foi comprado pelo banco espanhol Santander.
A partir de 2000, o Banco Santander Brasil assumiu a preservação desse acervo.

Em 2014, sua importância como patrimônio foi reconhecida através do tombamento pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. Este porém se aplica apenas a determinadas áreas do edifício, como o saguão, o caixa-forte, o mirante, e alguns dos seus andares, onde originalmente se situavam o salão nobre, as dependências da presidência e diretorias.

Foi reaberto como: FAROL SANTANDER no dia 25 de janeiro de 2018.

Desde então já recebeu mais de 750 mil visitas.
Em março, devido à COVID-19, foi fechado para cumprir a quarentena.
As atrações ocupam 18 andares dos 35 do edifício de 162 metros. Pelo tour virtual você consegue visitar 8 desses. Olha só o que te espera!

O Hall de Entrada, com seu imponente lustre de 18 metros de altura e 1,5 toneladas de peso te dá as boas vindas.

O Espaço Memória vai do 2° ao 5°andar.
No , tombado pelo Patrimônio Histórico, foi criado um ambiente audiovisual. O visitante, pode conhecer o processo de construção do edifício, sua relação com a história da cidade e como se tornou um símbolo para os paulistanos.

No 26º andar temos o Mirante! Com uma das vistas mais famosas da cidade, para fechar seu passeio com chave de ouro!

Os outros andares vou deixar para você descobrir. Vai lá e me conte aqui nos comentários!

Se nunca esteve aí curta, se já subiu, então mate a saudades!!!

Clique aqui para começar seu passeio agora mesmo!!

Riscos e Oportunidades para um Novo Mundo (II)

Dar-se conta de uma oportunidade depende da maneira como você olha para uma situação. Circulava há algum tempo uma historieta muito ilustrativa: dois comerciantes de calçados chegaram a uma localidade onde observaram que os pobres habitantes estavam todos descalços. Um deles logo se convenceu de que seu negócio não prosperaria ali, enquanto o outro se convenceu da oportunidade de calçar todas aquelas pessoas. Perceber-se de uma situação como uma oportunidade exige visão e otimismo.

A disseminação do vírus da Covid-19 e sua pandemia, tendo amedrontado as pessoas, as levou a atocaiarem-se em seus espaços privados. Depois de percebermos que a pandemia estava produzindo efeitos sobre as condições de produção de bens e serviços – entenda-se: desemprego, fechamento de empresas, interrupção de segmentos de cadeias produtivas, redução do crédito e derrocada financeira –, percebemos também que nosso comportamento se transformara. Nesse exato momento, boa parte das pessoas, recolhidas em suas residências, vieram a substituir o costumeiro modo face-a-face e presencial de relacionar-se, por modos mediados por tecnologias de comunicação e informação. Passamos a consumir mais essas tecnologias.

Um relatório muito oportuno, desenvolvido por uma equipe de analistas sociais e econômicos ligada à Google, observou isso tudo, dimensionou o que era possível quantificar e percebeu a classe de oportunidades que estava diante de nós, já que a virtualização da sociedade estava se acelerando. O novo comportamento está antecipando em dez anos a virtualização da vida em sociedade. Perceber-se de uma oportunidade exige visão, dissemos há pouco.

Antes de seguir em frente nessa linha de raciocínio, vale registrar: aquela visão privilegiada não toca – nem precisa tocar – em questões que podem estar incomodando as pessoas, como: mas por que tive que mudar meu comportamento?; de onde surgiu essa doença?; como atingiu tão rapidamente toda a geografia do planeta?; por que todo o conhecimento científico e recursos tecnológicos que temos não conseguem ser mobilizados em benefício do meu modo de viver em relações face-a-face?

Não! O otimismo que alimenta a percepção da oportunidade não se pergunta por que aquelas pessoas estavam descalças.

E nos parece que não devemos estancar aqui o argumento central deste nosso texto, que objetiva iluminar a ideia de que, diante da inevitabilidade de uma situação, devamos nos concentrar em extrair dela o melhor, nos adaptar e seguir em frente construindo esse mundo novo. Entretanto, é importante registrar também que a causa de todo esse transtorno, os sofrimentos, e das novas oportunidades deve ser apurada, sua responsabilidade identificada e ter a fatura cobrada. Caso contrário, assumiremos um novo risco. Como vimos num canal do Youtube recentemente alguém se indagar: de pandemia em pandemia, o que faremos quando as principais vítimas forem recém-nascidos, bisnetos, netos e filhos amados de alguém?; assim como hoje parecem ser os idosos?   

As vítimas, na verdade, têm sido a própria humanidade, toda ela, o seu jeito natural face-a-face de se relacionarem as pessoas, abraçarem-se, darem-se as mãos, acariciarem-se, encontrarem-se no estádio de futebol ou mesmo de afastarem alguém de quem desgostam. Enfim, as vítimas somos todos que adquiriram o comportamento relacional que nossos idosos estavam nos legando. Então, voltemos às oportunidades.

A julgar pelo que nos dizem os órgãos formadores de opinião, o mundo não será mais o mesmo. Vamos nos concentrar nessa inevitabilidade e aprofundar a mudança de comportamentos apenas iniciada, produzindo novas e adaptadas soluções.

‘Seleção e adequação das tecnologias disponíveis’ é necessário para nossa melhor adaptação à nova condição e ao novo comportamento. A virtualização exigirá, por exemplo, maior velocidade de conexão e maior capacidade de suportar concomitantemente bilhões de pessoas e coisas conectadas e se comunicando, como informam os analistas, responsáveis pelo relatório. Na sua última página eles nos alertam que a tecnologia de banda larga à disposição será a 5G. Felizmente, o relatório nos desperta a dúvida: não temos seleção a fazer, ou apenas não consigo me recordar das alternativas?

Escolher entre possibilidades e assumir a responsabilidade pelas consequências é o que as pessoas vêm fazendo desde sempre. Mas qual é a escolha que pode ser feita aqui? Resposta: 5G. É estranho! Se eu – cada um dos indivíduos – aceitar que a virtualização da vida em sociedade é inevitável, se me empenhar em visualizar oportunidades e em criar soluções para vivermos o melhor possível num mundo novo, estarei sabendo ‘na largada’, entretanto, que a plataforma única sobre a qual tudo isso será desenvolvido tem poucos criadores-proprietários. Consolidaríamos assim, uma vez mais e como algo inevitável, a vulnerabilidade de bilhões de seres humanos frente a pouquíssimos concorrentes.

Não percamos o foco: nada disso faz, da visualização de oportunidades e da ‘pegada’ otimista, atitudes desimportantes, nos parece.

Efeitos colaterais da pandemia

Autoridades sanitárias têm alertado sobre o comportamento dos pacientes de doenças crônicas, com câncer, cardiopatias, acidente vascular cerebral (AVC), sintomas de infarto, imunodeprimidos de interromperem seus tratamentos ou simplesmente deixarem de procurar os serviços de saúde pelo receio de contágio pela Covid-19.

Esta doença é uma zoonose cujo agente etiológico é o vírus denominado SARS-CoV-2. Seu tratamento, em 15% dos casos, é feito com internação hospitalar e nos casos de maior gravidade (5%), com internação em unidades de terapia intensiva. Sua taxa de letalidade – número de casos que vão a óbito dentre o total de contaminados – é considerada relativamente baixa. O que então a torna tão preocupante para os sanitaristas, gestores e equipes da área de saúde?

A resposta não é simples, mas começaríamos por lembrar que é uma doença muito recente, para a qual ainda não se chegou a um tratamento eficaz totalmente comprovado e que, essencialmente, para os pacientes em estado grave é recomendado assegurar que o oxigênio chegue aos pulmões, enquanto o sistema imunológico combate o vírus. E isso tem demandado períodos razoavelmente prolongados de internação hospitalar, com o auxílio de equipamentos sofisticados.

Ou seja, o seu tratamento tem grande potencial de sobrecarregar a capacidade hospitalar instalada, a ponto de, como se viu em outros países, levar à ocupação de salas e andares inteiros dos hospitais. Percebe-se imediatamente que a utilização de tais espaços, equipamentos e pessoal profissional envolvido concorre com as necessidades de outras tantas morbidades que também exigem internação em alguns de seus estágios de desenvolvimento.

A preocupação das autoridades sanitárias é no sentido de que as necessidades de tratamento dessas outras morbidades, mencionadas no primeiro parágrafo, não podem ser negligenciadas, nem pelas equipes de saúde, nem pelos gestores, nem pelos pacientes.

Concretamente, lembremos que pacientes em tratamento de câncer, em qualquer estágio, precisam de atendimento médico; que pessoas com problemas renais crônicos precisam fazer hemodiálise, na maioria dos casos, três vezes por semana; ou seja, esses procedimentos devem ser realizados em unidades de saúde, para onde o paciente, não raras vezes, vai acompanhado de pessoas que se enquadram nos grupos de maior risco frente à covid-19: idosos ou portadores de comorbidades.

Assim, se tiver que fazer uma consulta é bastante razoável que verifique se a  instituição tem atendimento fisicamente protegido do contato com pacientes portadores das doenças contagiosas, que os profissionais de saúde não circulem entre esses dois espaços,  que os equipamentos de exames complementares não sejam os mesmos, que tenha uma triagem de sintomas na entrada, que se utilize máscara e que se higienizem as mãos.

 A recomendação fundamental seria a de requerer atendimento e tratamento com controle e mitigação de riscos. Há como fazer isso.

Riscos e Oportunidades para um Novo Mundo.

O Brasil e o mundo passam por mudanças profundas em todos os aspectos da vida de indivíduos e grupos. Isto não é exatamente uma novidade, pois se há algo persistente nas sociedades contemporâneas é sua insistente transformação. Também não é novidade a comemorada capacidade do ser humano de se adaptar a novas situações. A rapidez e abrangência da atual transformação é que são a novidade imposta pela pandemia que enfrentamos. Está a humanidade em condições de reagir adequadamente ao momento, adaptando-se às mudanças? A julgar pelas diversas análises que circulam sobre o momento atual, a resposta é de esperança – sim!

A reação de pessoas e empresas à ameaça do Covid-19 revela com clareza novos comportamentos adotados no dia-a-dia, em decorrência, por sua vez, de outras mudanças ocorridas na forma de produzir e gerar os bens e produtos de que todos precisamos para sobreviver. Todos foram levados a dar-se conta de que havia uma ameaça à saúde e à vida, representada pela disseminação do vírus; em seguida a perceber que nossos cuidados corriqueiros por meio dos quais provemos as necessidades de alimentar-se, abrigar-se, vestir-se, proteger-se da violência não estavam mais seguindo o curso a que nos acostumamos.

Em termos práticos, duas tomadas de consciência: a da possibilidade de estarmos frente a um mal para o qual não havia uma resposta eficaz à disposição; depois, a de que mudanças de comportamento estavam alterando a forma costumeira de obter remuneração e de com ela buscar a satisfação das necessidades, inclusive as básicas. Assim, mudanças na percepção sobre condições e comportamentos do dia-a-dia levaram a novos comportamentos.

Num relatório de uma equipe de análise social e econômica ligada ao Google, de início de abril, lê-se a esse respeito: “Passamos a trabalhar de casa, escolas se adaptaram para o ensino à distância, restaurantes transacionaram para vender apenas via delivery e digitalizamos nossos contatos e momentos para mantermos a conexão com os nossos entes queridos. Ainda não conseguimos medir o impacto de tudo isso, mas a verdade é que o mundo não será mais o mesmo.”

Não demorou para que nos convencêssemos de que estávamos imersos na crise, que isso significava que, ou as pessoas agora já estão vinte e quatro horas do seu dia recolhidas em seus espaços privados, ou que estão a caminho disso. Assim, os analistas são levados a concluir que, como resposta, dadas as ferramentas com que o mundo tecnológico tem-nos brindado, “Temos que virtualizar tudo.” Entenda-se: transformar integralmente a forma secular pela qual as pessoas, em relações diretas face-a-face, construíram o mundo, para uma forma, propiciada recentemente pelas tecnologias, de adotar relações mediadas por essas mesmas tecnologias: computadores, ‘tablets’, celulares, telefones fixos, ‘wearables’ etc.  

Nessa perspectiva, o vírus, além de toda a ameaça à saúde e à vida, está também antecipando uma realidade virtualizada em que estaríamos inseridos em dez anos, segundo os mesmos analistas. Não fosse por essa ameaça, chegaríamos à virtualização daqui a uma década, ou menos. Nós trilharíamos esse mesmo caminho, se o andamento do curso normal das coisas não tivesse sido interrompido – aliás, é a isso que denominamos ‘disrupção’. É para ele que nos encaminhávamos.

Então este momento, em que novos comportamentos estão se impondo, pode ser visto como uma oportunidade de acelerarmos a seleção e adequação das tecnologias disponíveis, para um novo mundo.

A mensagem dos analistas é otimista: adapte-se. Veja quantas oportunidades estão colocadas diante de você, oportunidades de participar da reconstrução das bases relacionais face-a-face a que estávamos acostumados e nas quais encontrávamo-nos acomodados.

Pé no Parque

O Pé no Parque é uma realização da Associação O Eco, com apresentação do WikiParques e patrocínio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

As mídias audiovisuais, tem um poder de nos transportar com grande eficácia a lugares longínquos . Graças a elas, podemos conhecer e valorizar os Parques Nacionais Brasileiros.

O projeto incentiva assim, “turistas” e visitantes a conhecer estas áreas, a qualidade de vida que proporcionam e dão um reflexo do desenvolvimento do Brasil.

As unidades de conservação tem, entre outros, um papel importante na educação ambiental e visam tornar o visitante mais consciente. Entender a importância desses parques e conhecer suas belezas e benefícios é de suma importância para a manutenção das riquezas de nosso País.

Visite: http://penoparque.org.br

VISITE A FRIDA KAHLO – SÓ HOJE

Somente hoje, 4ª 13/05/20, está disponível a visita gratuita à CASA AZUL, onde ela nasceu e viveu toda a sua sofrida vida. Em cada ambiente você pode fazer uma visita 360º. Toquem nas setas azuis para avançar ou dar zoom! https://www.recorridosvirtuales.com/frida_kahlo/museo_frida_kahlo.html

Desde uma poliomelite contraída na infância que a deixou manca, até um gravíssimo acidente que a impossibilitou de ter filhos, os acontecimentos foram deixando suas marcas na personalidade e aparência de Frida. Passou a usar saias longas para esconder suas pernas, e expressou sua frustração em não poder ter filhos em muitas de suas obras. Conheça a casa dela e veja por si próprio o esplendor da morada de Frida Kahlo, diretamente do conforta da sua própria casa.


Preconceito, escolhas e consequências.

Em inglês, ‘ageism’ expressa um comportamento discriminador em relação à idade das pessoas, em geral as mais idosas. Costuma ser acompanhado de termos pejorativos que nos remetem a visões irracionais e preconcebidas sobre indivíduos ou grupos, nos quais se percebem estereótipos relacionados a sua capacidade física e mental. Em português, preconceito por idade. 

Diz-se que alguém está caduco! Talvez nem percebamos o quanto isso é preconceituoso. Limitamos assim a autonomia de alguém, pois ao dizê-lo sentencio aquela pessoa a ter perdido as qualificações para tratar do assunto que estou tratando. Ou seja, se é gagá, não trará contribuições relevantes ao tema; deve então ser mantido fora do debate sobre esse assunto. Estaremos inclusive autorizados a tomar decisões que afetam aquela pessoa sem consultá-la, pois, é óbvio, o que se disse é que ela está mentalmente incapaz!

Todos intuímos esse significado quando ouvimos algo assim ou agimos dessa maneira. Estaremos ouvindo ou determinando que alguém não conta!; alguém cujas opiniões apenas perturbam a racionalidade do meu pretenso raciocínio superior, ou da minha visão mais ampla.

Não nos parece que as pessoas devam ser proibidas de se expressar – seja como for que o façam – ou de preservarem concepções de vida que outros não aprovam. A melhor maneira de depurar conceitos inadequados é assegurar que se expressem publicamente, que as ideias sejam expostas ao público. A sociedade então decide quais abraçará. Certamente isso depende de uma sociedade suficientemente formada e informada e essa é uma miragem que ainda precisa ser buscada e alcançada. O caminho para essa sociedade não é uma trilha direta; é tortuosa e será traçada pelos próprios indivíduos. Mas todos os caminhos são assim numa sociedade livre: exigem tempo, dedicação, atenção, escolhas e responsabilização.

Todos os dias acontecem coisas que nos colocam diante de dilemas, que expõem concepções de vida, as quais aguardam ser depuradas.

A maneira como em alguns sistemas de saúde os idosos têm sido tratados nessa pandemia parece ser uma dessas situações. Não havendo suficiente quantidade de respiradores ou leitos de UTI, concordamos que haja um critério para se decidir a quem serão destinados. O critério ‘para os idosos, não!’ parece tão óbvio quanto é imperceptível o preconceito que ele traz.

Mas, de onde vem a convicção de que este deva ser o critério, perguntam dois geriatras italianos num recentíssimo artigo publicado no JAMDA (25 de março de 2020)? Situações-limite exigem decisões rápidas, afirmam; mas se indagam: por que a resposta que vem mais rápido deveria ser esta – ‘os idosos não’? Eles consideram que este protocolo médico está, tão somente, eivado de preconceitos contra os idosos e então se questionam sobre a possível responsabilidade da comunidade médica nisso.

A reflexão que fazem os leva a concluir que a decisão de usar um respirador, fundamentada na data de nascimento do paciente, pode revelar um risco de termos “perdido o significado e o valor da vida humana”.

Não se trata aqui de questionar cada decisão particular que foi tomada pelas equipes médicas ao redor do mundo. Os autores do artigo nos impelem a refletir sobre o quanto a data de nascimento, mais recente ou mais antiga, pode significar maior ou menor grau de humanidade de uma pessoa, bem como sobre o quão humanizadora uma decisão ancorada nesse preconceito é.

Os idosos são muito importantes para nossa sociedade, pelo que representam em termos de valores humanos, pela experiência e memórias que reuniram superando dificuldades e construindo a nossa realidade. São importantes pelo desafio que colocam a todas as pessoas de olharem para si mesmas e se sentirem impulsionadas a melhorar as coisas, quem sabe fazendo do respeito à autonomia uma cláusula pétrea da convivência em sociedade.  

“ZOOM FATIGUE” JÁ OUVIU FALAR?

Por mais que as tecnologias ajudem o contato durante o isolamento social, não se iluda! Elas também estão sendo agravantes para a situação. Se você acha que está sendo mais improdutivo durante uma reunião ou aula virtual, o que você sente é vivenciado por mais pessoas do que imagina e vem sendo chamado de: Zoom fatigue.

Nas últimas semanas ocorreram grandes mudanças nas formas de interação do ser humano. Aulas online, reuniões pelo computador, festas de aniversário pela webcam, lives no YouTube. Tivemos que nos adaptar e percebemos que graças a tecnologia, mesmo longe podemos estar bem próximos um do outro. Mas será que é bem assim mesmo?

Muitos estudantes e trabalhadores de home office reportam cenários comuns: menor produtividade, queda na concentração, cansaço mental, … Sintomas que aparecem principalmente depois de uma reunIão virtual. Um dos motivos para isso estar acontecendo é que o uso dessas ferramentas de vídeo-chamada exige mais energia do que um contato físico. Através do vídeo seu cérebro é estimulado para acreditar que você está em uma situação de encontro físico – que seu corpo não experiencia. Além disso você precisa de um esforço maior para acompanhar a linguagem não verbal. Ver apenas o rosto de várias pessoas simultaneamente pode ser mais desgastante do que parece.

Seu cérebro tem que processar muito mais que apenas a conversa. Ele repara nos ambientes em que cada um se encontra. O quadro torto da sala da amiga, a estante colorida do colega de trabalho, o fato de ninguém estar olhando nos seus olhos e, em muitos casos, o que é ainda pior, a sua própria imagem. A posição das webcams nos dispositivos é de uma forma que, se você olhar para a tela para ver as pessoas com quem você conversa, você aparenta estar com um olhar para baixo. E se você quiser aparecer olhando nos olhos dos outros, terá de encarar a câmera e abrir mão de olhar para a cara dos outros integrantes. A conversa “olho no olho” não existe mais.

Outro problema é o silencio. Em uma conversa física ele é um elemento comum, representando atenção no que a pessoa está falando. Porém na vídeo-chamada não é bem assim. Ao falar e não encontrar nenhum retorno dos outros participantes a pessoa se sente ansiosa. É comparável à uma apresentação de teatro. Você está performando ao vivo com uma plateia de participantes cuja reação você não vê. Professores reportam que se sentem sozinhos. Não sabem se a turma está atenta, se estão gostando, se estão ausentes. Como saber se a única coisa na sua tela é a apresentação de powerpoint, sua webcam ligada e conhecimento de que uma turma toda está te observando? Vivenciar isso repetidas vezes na semana é muito desgastante.

Um estudo alemão de 2014 comprovou que um atraso na resposta de 1,2 segundos ou mais (característica das plataformas, seja por sobrecarga do sistema, problemas na internet, etc.) provoca a impressão de participantes desinteressados. Para quem está falando isso pode ser mais um fator para o desgaste mental. E um desgaste desses, em um contexto de pandemia e crise mundial, não deve ser ignorado.

Idosos contra Abuso (IV)

Uma escoriação, uma marca de pressão sobre a pele, um hematoma ou uma fratura podem ser indicativos de uma violência física. Esses sinais, mesmo quando evidentes, podem provir de outras circunstâncias que não sejam as decorrentes de um abuso. Isso pode tornar o abuso físico ao idoso algo de difícil detecção.

E mesmo quando os sinais não são confusos ou sutis a detecção pode ser dificultada por um comportamento, muito comum entre pessoas que sofrem violência, de negar ou ocultar o abuso; seja pela vergonha que acreditam isso poderia vir a lhes causar; ou para, por alguma razão, proteger o agressor; seja também pelo puro medo de sofrer retaliação. Quanto sofrimento podemos entrever nisso!

Por variadas circunstâncias, muitos idosos vivenciam seu dia-a-dia em situação de isolamento social. Esse distanciamento pode também se constituir em uma dificuldade adicional para a detecção do abuso sofrido, porque o agressor, usando de sua ascendência sobre a vítima e confiança dos convivas, pode criar empecilhos para que se entre em contato com o idoso.

Estamos diante de situações que são tipificadas como crimes no Estatuto do Idoso. Mas queremos focar aqui nos valores da vida humana, os caminhos que tornam menos dignos os comportamentos do ser humano e retiram a dignidade das vítimas.

O abuso físico, uma imposição intencional de dor ou lesões, na maioria das situações mediante o uso de força, pode resultar em desconforto ou danos físicos e psicológicos. Por vezes, danos muito nocivos são produzidos pelo abusador físico com a administração de doses imprecisas de medicamentos ou a ingestão de substâncias impróprias.

Na formação dos profissionais de saúde há treinamento e advertências para auxiliar no seu bom exercício. São alertados para um possível comportamento preconceituoso quando, procurados por ajuda pelos idosos, atribuem a queixa puramente à “idade avançada”, formulando imediatamente um “diagnóstico de confusão, paranoia ou demência”.

É um bom procedimento que cuidemos, todos, de evitar um comportamento que tira do idoso a credibilidade para pedir ajuda ou que menospreze sua capacidade de solicitar a atenção para uma realidade, a qual está impedido de denunciar diretamente.

Podemos com agilidade refletir e agir. A reflexão – que pode ser um ato individual ou uma troca de impressões com amigos e parentes – seria imaginar: quais mecanismos poríamos em ação para evitarmos crer que alguém, por não saber como pedir ajuda, ou não ter como denunciar um abuso, ou mesmo por não ter consciência plena da violência que sofre, ainda assim não precise de ajuda.

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